domingo, 4 de outubro de 2009
SOU MODERNO, VIVO EM PALERMO
Buenos Aires cultiva um certo marketing de charme em relação a seus “barrios”. Claro que isso tem a ver com com a infra-estrutura do turismo (nesse quesito, a capital porteña deixa no chinelo qualquer destino turístico nobre do Brasil), mas o fato é que visitar alguns bairros da cidade pode ser, de partida, roteiro dos mais interessantes.
Palermo está bombando no placar de algumas tribos. Mas cuidado, dependendo do informante, pode ficar atrás da Recoleta, San Telmo, Abasto ou mesmo do bem menos citado Vila Crespo. 'Cada uns' elegem o seu melhor pedaço da cidade, obedecendo aos critérios que lhes vai na telha.
Dizem que os porteños gostam de esquartejar os bairros e renomear seus pedaços, 'asi que' o barrio que está nas paradas do momento, pode nem aparecer num mapa da cidade menos atualizado...
Esse é e não é o caso de Palermo.
Explicando: sim, Palermo foi super esquartejado – Palermo Hollywwod, Palermo Viejo, Palermo Botânico, Palermo Chico, Palermo Soho... y qué se yo? E não, não há perigo de desaparecer do mapa porque é um dos maiores bairros da cidade (ou será mesmo o maior?).
Como grande parte dos bairros de Buenos Aires, Palermo tem seus encantos e seu charme. Em anos recentes, alguns descolados e suas respectivas tribos (desainers, artistas, restoranteurs, empreendedores de plantão y qué se yo?...) resolveram instalar-se numa parte dessa região da cidade que andava meio decadente e meio às moscas... Nas imediações do Palermo Hollywood (assim chamado pela concentração de produtoras de video, dizem) surge o Palermo Soho. Meio se confundindo com Palermo Viejo, o Soho poteño se dispersa por algumas ruas em torno da praça Serrano (rebatizada pelos modernos de Cortázar) em lojinhas de roupas e “coisas” (e lojonas de grifes e decoração), ateliers (e galerias de arte), bares, botecos, café restaurantes e afins, alguns lofts e hotéis boutiques.
Território de modernos, o Soho porteño hoje já dá mostras de não andar lá muito bem das pernas. O que sobrar dele certamente será absorvido pelo antigo Palermo de sempre que ainda mora nessas ruas e pode ser visto por quem quiser ver.
Com Soho, sem Soho ou com o que ficar deste e dos outros Palermos, o bairro guardará seus encantos: a tranquilidade de suas ruas sombreadas por plátanos centenários, as casas do começo do século XX convivendo em harmonia estética com arquitetura recente sem maneirismos, o vai e vem e dos antigos moradores que percorrem seus velhos trajetos até a fruteleria da quadra ou até o sujinho da esquina pra comprar as pizzas e empanadas de cada dia e mais toda a comunidade armênia que ocupa o pedaço há muito mais tempo e deve achar graça nessa coisa de “sou moderno, vivo em Palermo”.
Buenos Aires é soberana e se sobrepõe às suas próprias modices.
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